O termo foi usado em um artigo do jornalista Derek Thompson, na revista The Atlantic, em julho de 2020, no qual o autor argumenta que “o teatro de higiene pode retirar recursos limitados de objetivos mais importantes”. A matéria descreve ações como a simples limpeza de cardápios em restaurantes e a desinfecção de assentos e paredes no metrô de Nova York.
Imagine um estabelecimento com funcionários fazendo a desinfecção de superfícies com alguma frequência, mas sem medida alguma para garantir uma boa ventilação do local ou para exigir o uso de máscaras apropriadas. Essa é a descrição de uma situação que poderia dar a falsa sensação de segurança, segundo o engenheiro biomédico Vitor Mori, membro do grupo de pesquisadores Observatório Covid-19 BR.
“O teatro da higiene é o ato de desinfetar tudo o tempo todo. Porque é algo mais concreto, visual... Vemos que algo está sendo feito e isso nos dá uma falsa sensação de conforto e de segurança”, diz Mori.
O que ele recomenda, no entanto (depois da dica número um, que é “fique em casa o máximo que conseguir”), é que as pessoas prestem mais atenção em medidas como: priorizar ambientes ao ar livre (ou com a maior ventilação possível), fazer distanciamento físico e usar boas máscaras, bem ajustadas ao rosto.
Se por um lado Santos diz que pode haver menos preocupação com cartas, jornais e outras superfícies, ela reforça que a recomendação de lavar as mãos continua valendo, é claro: não só devido à covid-19, mas para evitar outras infecções.
“A higienização das mãos e de produtos que serão tocados durante preparo e ingestão de alimentos deve ser mantida. Isso o protege da covid e de diversas doenças infecciosas. Mas não é suficiente para impedir a transmissão da covid”, diz.
A médica aponta que o investimento em melhoria da ventilação de estabelecimentos geralmente é alto e diz que “ninguém quer falar sobre isso”.
“Trabalhadores estão convivendo em espaços que nunca cuidaram da segurança respiratória. A adaptação é cara, a não ser que tenhamos inovações (o que é possível), e poucas empresas terão condições (de fazer o investimento) após o impacto da própria pandemia”, diz.
A OMS divulgou neste ano um documento com indicação de estratégias para melhorar a ventilação de ambientes internos e reduzir riscos de transmissão do coronavírus. O artigo traz recomendações técnicas relativas à ventilação mecânica e natural e aponta que algumas recomendações devem ser avaliadas em consulta com profissionais da área de aquecimento, ventilação e ar condicionado. Ao divulgar esse roteiro técnico, a OMS reforçou que a chance de contrair covid-19 é maior em ambientes cheios e espaços sem ventilação adequada onde as pessoas passam longos períodos de tempo próximas umas das outras.
“Esses ambientes são onde o vírus parece se espalhar por gotículas respiratórias ou aerossóis de forma mais eficiente, por isso, tomar precauções é ainda mais importante.”
(LAÍS ALEGRETTI – BBC.COM)
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