ITAMAR VIEIRA JÚNIOR: Nascido em
Salvador, em 1979, é Graduado e Mestre em Geografia pela Universidade Federal
da Bahia. Na mesma instituição de ensino superior, concluiu também sua tese de
doutorado, dessa vez na área de Estudos Étnicos e Africanos, com o nome
de Trabalhar é tá na luta:
vida, morada e movimento entre o povo Iuna (2017), pesquisa que se volta sobre
a formação de comunidades quilombolas no interior do Nordeste brasileiro. Para
além da literatura, atua como funcionário do INCRA - órgão federal voltado para
a implantação da reforma agrária.
Estreia na literatura em 2012,
com o livro de contos Dias,
vencedor do XI Prêmio Projeto de Arte e Cultura (Bahia). Em 2017, lança o
também premiado A oração do carrasco,
finalista do Prêmio Jabuti do ano seguinte na categoria conto. Além disso, o
livro conseguiu o segundo lugar no Prêmio Bunkyo de Literatura 2018 e foi
vencedor do Prêmio Humberto de Campos da União Brasileira de Escritores (Seção
Rio de Janeiro).
Já seu impactante romance Torto arado (2018) conquistou em
Portugal o prestigioso Prêmio LeYa, concedido por unanimidade pelo modo como
representa de forma sólida e realista o universo rural brasileiro. O enredo
enfatiza trabalhadores sem-terra remanescentes do regime escravista, em
especial as personagens femininas duplamente vítimas da violência que impera
nos grotões mais afastados, realidade representada por meio de uma sensível e
sofisticada escrita, como bem notaram os jurados do concurso em sua nota de
justificativa:
O Prémio LeYa 2018 é atribuído ao
romance “Torto Arado”, pela solidez da construção, o equilíbrio da narrativa e
a forma como aborda o universo rural do Brasil, colocando ênfase nas figuras
femininas, na sua liberdade e na violência exercida sobre o corpo num contexto
dominado pela sociedade patriarcal. Sendo um romance que parte de uma realidade
concreta, em que situações de opressão quer social quer do homem em relação à
mulher, a narrativa encontra um plano alegórico, sem entrar num estilo barroco,
que ganha contornos universais. Destaca-se a qualidade literária de uma escrita
em que se reconhece plenamente o escritor. Todos estes motivos justificam a
atribuição por unanimidade deste prémio.
Situando a história em uma região
remota e imaginária do nordeste brasileiro, o autor abrange problemáticas que
envolvem proporções maiores ligadas tanto ao modo de funcionamento histórico e
social do país quanto à complexa e intrincada rede de sentimentos e emoções
intrínsecas ao ser humano. Em concomitância, temos um romance que fornece
elementos para debate sobre as desigualdades e violências entre cidade e campo,
as desigualdades de gênero, as formas de resistência das religiões de matriz
africana e indígena, as permanências e continuidades da escravidão simbolizadas
na relação de mando inviolável entre patrão/dono e trabalhador/agregado, assim
como do tríplice espólio sobre o trabalhador: sua mão de obra, seu produto
final e seu tempo.
PUBLICAÇÕES: Dias. Salvador: Caramurê Publicações,
2012. (contos). A oração do carrasco.
Itabuna-BA: Mondrongo, 2017. (contos). Torto
arado. Lisboa: LeYa, 2018; São Paulo: Todavia, 2019. (romance). Doramar ou a odisseia: histórias. São
Paulo: Todavia, 2021. (contos). Salvar
o fogo. São Paulo: Todavia, 2023. (romance). (Fonte: Faculdade de
Letra da UFMG)
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