segunda-feira, 12 de junho de 2023

COLUNA PORTUGUÊS E POESIA- ROGER TAVARES

 

ESCRITORAS NIGERIANAS CONQUISTAM O MUNDO

 

As vozes femininas da Nigéria estão ganhando o mundo. Em 2019, três escritoras nigerianas – Akwaeke EmeziOyinkan Braithwaite e Diana Evans – concorreram ao Baileys Women’s Prize for Fiction. O prêmio é considerado um dos mais prestigiados no que diz respeito a literatura em língua inglesa. 

Akwaeke Emezi foi indicada por sua autobiografia ficcionalizada “Água doce” (Freshwater). Oyinkan Braithwaite foi indicada como autora de “Minha irmã, a serial killer” (My sister, the serial killer). Já Diana Evans recebeu a indicação pelo livro “Ordinary People”, ainda sem tradução para o português. Apesar das três escritoras terem entrado para a lista de finalistas, quem recebeu o prêmio máximo  foi a americana Tayari Jones pelo livro “Um casamento americano” (An American Marriage).

O prêmio existe desde 1996, e surgiu como uma forma de prestigiar as escritoras que impactam o mundo da literatura com textos publicados em língua inglesa. Contudo, as nigerianas ainda são pouco reconhecidas nas demais premiações que, majoritariamente, premiam autores do sexo masculino. 

“A Nigéria possui uma tradição literária muito forte. Como exemplo, temos o ganhador do prêmio Nobel de literatura Wole Soyinka. Ele pertence a uma geração de autores importantíssimos para a literatura moderna da África após colonização e processo de independência”, lembra a professora Elena Brugioni, professora de Literaturas Africanas e Estudos Pós-coloniais na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). 

Brugioni também cita Chinua Achebe, autor de “O mundo se despedaça”. “Considerado o primeiro romance moderno, questão que é muito ainda debatida, é ele quem inaugura as bases da moderna literatura nigeriana e africana. Ele foi um autor que estabeleceu parceria entre editoras africanas e editoras internacionais”, explica. Para ela, o caminho até o cenário atual inclui diversos fatores, inclusive contemporâneos, que contribuem para o sucesso atual das novas escritoras.  

“Hoje é muito discutida a questão da pauta de gênero, da posição da mulher em determinados contextos sociais não apenas em África, mas em várias geografias no mundo. Não é que essas histórias surgiram agora, é que agora existem essas autoras que as contam”, afirma.

“Acredito que uma das responsáveis por uma nova visibilidade da literatura nigeriana na atualidade seja a Chimamanda Ngozi, que além de questões políticas, traz em sua literatura uma discussão muito potente sobre o feminismo” afirma professor Rodrigo Ordine Graça, professor de literatura africana da Universidade da Integração da Lusofonia Afro-brasileira (Unilab). 

A professora Elena Brugioni acredita que esses os prêmios nacionais e internacionais ajudam a divulgar o trabalho dessas autoras, fazendo com que editoras de vários países invistam no trabalho dessas escritores.

“Eu deixaria um convite para o mundo editorial se interar mais de um mundo tão grande é que o das literaturas africanas, tornando acessível para o publico de lingua portuguesa, sobretudo no Brasil, nesse momento especial que estamos vivendo.” (Fonte: Atlântico online) 

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