segunda-feira, 18 de maio de 2020

COVID-19 mudará hábitos da população

Roger Tavares

A Covid-19 impactou as relações humanas. Milhares de pessoas foram infectadas com a doença, em uma contagem que não para de crescer, inclusive no Brasil. Bilhões estão presos em casa, saindo apenas para atividades essenciais, tentando conter o avanço do “mal invisível” e evitar o colapso do sistema de saúde. Da forma como nos divertimos ao modo como gastamos dinheiro, nada será como antes. Em isolamento, milhares de pessoas começaram a repensar o próprio estilo de vida. Será que precisamos comprar tanto? Conseguiremos estar em grandes aglomerações novamente?
Menos intolerância e individualidade
Para Erci Ribeiro, mestre em psicologia e professora de Serviço Social, vivíamos, até essa crise, dentro de uma avalanche de intolerâncias e egocentrismo. O cenário era o de uma ode à individualidade, o que ela chama de “era da selfie e da própria satisfação. Estamos, agora, em um processo que a psicologia chama de catarse, um caldeirão que 'mistura' medos, ansiedades e fragilidades políticas. Não se restringe a não termos mais contato físico uns com os outros, mas sobre reflexões a respeito de nossas responsabilidades e limites”, pondera.
Retorno ao núcleo familiar
Ainda segundo a especialista, o retorno do convívio familiar é outro aspecto relevante. Com o isolamento social, que hoje é quase obrigatório para evitar que a pandemia se espalhe ainda mais, as pessoas que moram debaixo do mesmo teto têm a oportunidade de se reconectar. “Os contatos, outrora fragmentados, passam a ser contínuos”, diz. O resultado é uma humanização das relações, muitas vezes automatizadas pelo ir e vir da rotina em grandes cidades.
Novos hábitos de consumo
Ainda não há um consenso sobre como vamos gastar dinheiro no futuro pós-pandemia, mas, aparentemente, será um cenário de oito ou 80. Pesquisas atuais, com as do GuiaBolso, mostram que o brasileiro conseguiu reduzir muito os gastos, inclusive os considerados essenciais. Esse poderia ser o início de uma época com maior enfoque na educação financeira. “É preciso ter autoconhecimento. É importante, para evitar excessos, adicionar ao processo de escolhas elementos que possam trazer um cenário real do seu poder e necessidade de consumo, para evitar cair nos aspectos emocionais que o marketing e nós mesmos criamos”, ensina a educadora.
Home office ficará mais comum
Para diminuir a circulação nas ruas, boa parte da população transferiu o escritório do trabalho para dentro de casa, o que deve ser uma tendência daqui para frente. “O home office deve ser mais comum, porque muitos notaram que a produtividade continua igual ou até melhor em alguns casos”, defende Catarina.
Saídas cada vez mais escassas
Para a empresária e chef de cozinha Renata Carvalho, o hábito de se sentar com os amigos à mesa de um bar, ou de jantar fora com o crush, será cada vez mais escasso. “Acredito muito nos eventos dentro de casa. As pessoas vão querer cozinhar para os amigos, pedir delivery. A gastronomia vai se manifestar muito dessa forma. Não só sobre preparar o próprio alimento, mas levar o coração do restaurante para a casa dos clientes”, diz. (Fonte: Metropoles.com)

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