O PODER DOS
QUADRINHOS E AS MUDANÇAS DA SOCIEDADE
Os
quadrinhos de super-heróis mudam incessantemente. Essa é a maneira que eles se
utilizam para manter personagens datados sempre fresquinhos. Dessa forma eles
também renovam e atraem novos públicos de acordo com sua necessidade de
histórias. Venha saber um pouco mais sobre isso.
Refletir
a sociedade e suas mudanças é uma característica única dos quadrinhos de
super-heróis e dos quadrinhos americanos em geral. Isso acontece ao se levar em
conta o seu formato de publicação. São revistas que nunca acabam a história dos
seus protagonistas e duram ad eternum. As histórias são
progressivas, montadas em “fascículos” sequenciais. Isso é chamado pelos fãs e
especialistas de continuidade: um universo coeso em que histórias correm em
paralelo, às vezes intercedendo uma nas outras.
Os
mantenedores da continuidade nas histórias da Mulher-Hulk: Mas para que uma
revista dure tanto tempo, ela precisa também acompanhar as mudanças
tecnológicas e da sociedade, bem como as demandas de comportamento que variam
de tempos em tempos no mundo. Talvez os quadrinhos americanos sejam a única
mídia de entretenimento que vem acompanhando as transformações sociais em forma
de ficção por tanto tempo.
Sabemos
viver uma época diferente da dos nossos pais. Temos o mesmo tipo de percepção
ao ler os quadrinhos de um período anterior e os compararmos com os atuais.
Fica claro que houve uma mudança de paradigma, e que essa substituição não foi
sutil. Podemos notar a transformação na maneira como a aventura é contada, nos
estilos que norteiam os artistas, na linguagem e na caracterização dos
personagens e, sobretudo, na influência da evolução de História e sociedade
sobre todos esses aspectos.
O Superman
dos anos 40 usando máquina de escrever e a Batgirl atual tirando selfies: As novas origens
têm o mérito de serem histórias mais coerentes com o momento em que vivemos.
Permitem que um novo público se forme, apoiado em um background renovado e
capaz de apelar aos seus interesses e ideais, e de produzir identificação com o
ambiente do leitor, deixando de insistir na base já obsoleta desenvolvida anos
atrás. Que sentido uma equipe de pessoas com 30 anos que ganharam poderes na
corrida espacial da Guerra Fria faria para os jovens nascidos após a queda do
Muro de Berlim? Só se fosse uma obra retratando uma fase histórica, com caráter
de relíquia e curiosidade, mas não causaria comoção como uma série corrente.
Clark Kent
se demite do Planeta Diário por considerar o jornalismo uma prática moribunda.
Depois ele usa whatsapp: Claro, sempre haverá quem defenda e prefira o
Superman da Era de Prata, com seus poderes sem limites, suas kriptonitas
multicolores e suas transformações bizarras. A explicação para esse gosto é
simples. Essas pessoas cresceram vendo o Superman agir dessa maneira, adequada
ao mundo e à época em que desenvolveram seus valores e formaram suas
perspectivas. Para elas, este é o verdadeiro Superman, esse é o paradigma
legítimo. Ao seu ver, a identificação era mais fácil anos atrás porque aquele
era o mundo deles. E a identificação que permite a projeção é o segredo do
sucesso dos super-heróis.
(Fonte:
splashpages.wordpress.com)
Nenhum comentário:
Postar um comentário