LITERATURA: INSTRUMENTO CAPAZ DE MUDAR O HOMEM
Mas
o registro literário desde a escrita rupestre, passando pela escrita
cuneiforme, pelo papiro, pelo pergaminho, pelos incunábulos dos escribas dos
mosteiros medievais, sempre permeou a vida da humanidade. Mas só o suporte de
papel, em um chumaço impresso e encadernado, numa técnica desenvolvida por
Gutenberg, no século 15, vulgarmente conhecido como livro, permitiu a
disseminação massiva dos conteúdos literários.
A
propósito, quem milita com Literatura neste mundo de coisas utilitárias de hoje
em dia, às vezes se vê instigado a responder de pronto: para que serve mesmo a
Literatura? A resposta parece óbvia, mas na hora de responder assim de chofre e
de forma objetiva, acaba-se caindo em apuros.
Em
primeiro lugar, para se dar uma resposta que convença minimamente, será preciso
admitir que há, ainda hoje, certos fatores que entram na composição das forças
do mundo que são, digamos, sutis. Como a força do Papa, que não tem nenhuma
divisão de brigada, mas conseguiu interferir em muitas guerras e questões
relevantes ao longo da História. Inclusive agora, recentemente, com o papa
Francisco protagonizando sutilmente o reatamento diplomático entre os Estados
Unidos e Cuba, que viviam um embargo por mais de cinco décadas. São forças não
passíveis de avaliação imediatamente em números, peso, medida ou valor
monetário. São coisas que não entram no cálculo do PIB, nem no superávit
primário, mas são primordiais. Como o ar que respiramos, que ninguém calcula o seu
preço, mas sem ele não existiríamos para dar preço às outras coisas. Com uma
diferença significativa: o ar é natural; a Literatura é invenção humana, no
desenrolar de sua cultura. Seja como for, valendo-me inclusive de um ensaio de
Umberto Eco, aí vão alguns exemplos de utilidade da Literatura que consegui
elencar:
Literatura mantém o exercício, o arejamento, o frescor da língua,
que é o principal fator de criação de identidade, de noção de comunidade, do
sentimento de pátria e pertencimento a uma placenta cultural que nos acolhe e
nos dá sentido à vida tanto individual quanto coletivamente.
Literatura enseja o surgimento e a disseminação de valores
estéticos, aguça a sensibilidade, introduzindo na vida das pessoas o verdadeiro
sentido do belo, distinguindo-nos da fauna geral, onde gosto não se discute.
(Edival Lourenço)
Nenhum comentário:
Postar um comentário