segunda-feira, 27 de março de 2023

COLUNA PORTUGUÊS E POESIA - UM LIVRO FENOMENAL

 

A VIDA SECRETA DAS EMOÇÕES (Editora Ayiné). As emoções que habitam dentro de nós tornam-nos humanos. Confiar no que sentimos não significa que somos frágeis ou instáveis, mas vivos, abertos à experiência e prontos para nos maravilhar com o mundo. As emoções que habitam dentro de nós tornam-nos humanos. Confiar no que sentimos não significa que somos frágeis ou instáveis, mas vivos, abertos à experiência e prontos para nos maravilhar com o mundo. Quantas vezes nos forçamos a reprimir uma emoção? Nós o fazemos porque nos envergonhamos do olhar do outro. Ou porque estamos acostumados a desconfiar das emoções, analfabetos no discurso emocional. E, no entanto, é justamente o que sentimos que nos permite conhecer o mundo. Cada uma das emoções que experimentamos tem uma história: a história de todas as pessoas que a experimentaram, expressaram, cantaram, revelaram, estudaram. Uma história de vida secreta e de metamorfoses, ligada à filosofia, que construiu paradigmas de observação e de estudo; mas também ligada à literatura e à poesia. Este livro é uma viagem emocional em etapas: reconstruindo as vicissitudes das palavras com as quais expressamos nossos estados de espírito, ele traça, pouco a pouco, um autorretrato ― fragmentado, imperfeito. Porque em nosso ser vulnerável somos todos semelhantes; e reconhecermo-nos emotivos significa tomar consciência de que temos necessidades, e que precisamente tais necessidades nos tornam humanos.

     A autora: Ilaria Gaspari, filósofa e escritora, estudou Filosofia na Escola Normal Superior de Pisa e é doutora pela Universidade de Paris I Panthéon Sorbonne. Em 2015, publicou seu primeiro romance na Itália, Etica dell’acquario, e em 2018, Ragioni e sentimenti, um conto filosófico sobre o amor. É colaboradora de várias revistas e ministra cursos de escrita criativa na Scuola Holden.


A ADIADA ENCHENTE

Velho, não.
Entardecido, talvez.
Antigo, sim.

Me tornei antigo
porque a vida,
tantas vezes, se demorou.
E eu a esperei
como um rio aguarda a cheia.

(Mia Couto)

 

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