(Fabrício Carpinejar)
É ansiar pela ajuda de um adulto
mesmo sendo um adulto. Você dependerá de colo e de um apoio, de alguém para
ouvir e justificar as suas dificuldades, de alguém para inspirar e motivar a
ter resistência. Alguém por perto para não se ver tão desamparado pela inércia.
Alguém para acender e apagar as luzes da casa. Alguém para controlar os
horários dos remédios. Alguém para espiar o seu sono e levantar as cobertas
caídas pelo seu movimento.
Temos que pedir socorro quando
sofremos: esse é o segredo da vida. Não achar que é necessário ser forte e
invencível.
Resolver tudo isolado é se
piorar, pois não existe como entender a gravidade do que está acontecendo e
identificar os próprios avanços e recuos.
Não há independência penando, só
cama e escuro.
A debilidade é traiçoeira e mexe
com o controle dos pensamentos.
Seremos mentalmente menores de
idade. O cansaço assusta e traz angústia, fecha as portas das lembranças, cria
labirintos, chama o Minotauro por engano. Os medos de pequeno vêm nos
assombrar, os pesadelos vêm roubar o nosso suor de madrugada.
Estar solitário sofrendo é ser um
menino trancado no apartamento sem nenhum responsável, é ser uma menina
aguardando na janela o retorno da família.
A dor tem dentro de si a solidão
da infância. É uma hipnose regressiva. Retornamos a uma fase em que não
sabíamos nos proteger.
Tanto faz a consternação física
ou emocional, não importa que seja uma separação ou uma dor de dente ou uma
doença ou a morte de um afeto.
Fica-se prostrado, saudoso dos
carinhos e da vigília.
O sofrimento não tem pai nem mãe.
O sofrimento é órfão. Não queira ser maior do que ele, porque vai engoli-lo
usando os seus traumas e fraquezas.
Telefone a um amigo ou parente e
apenas diga "Não estou bem, pode me cuidar?". A humildade é saúde.
FALTA DE TEMPO
(Fabrício Carpinejar)
Existe um único antídoto para a falta de tempo.
Um único.
Estar apaixonado.
Esquecer de si para inventar o desejo.
O desejo transforma-se no próprio tempo.
Tudo é adiado.
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