quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

COLUNA: CONCURSO EM FOCO

 Prof. Estevão Machado Athaydes

Inspetor de polícia civil do Rio Grande do Sul, bacharel em Direito e licenciado em Letras pela Universidade Luterana do Brasil, licenciando em Filosofia pelo Centro Universitário Ítalo Brasileiro, mestre em Educação pela Universidad de Jaén, Espanha.

Análise de texto em versos

A coluna desta semana trabalha a interpretação de um texto em versos, eis que foi bastante cobrado o gênero poesia em questões de interpretação textual nas duas últimas edições do ENEM.

A Lua e o Mar

E eu me despedaço

Me esvazio tal mar em ressaca

Diminuto, fustigado pela pelas pedras

em que bato minhas águas

Reflete a Lua em mim

Tão imenso, falta-me a Lua

 

Mas...

Que Lua é essa?

Que nada sabe do amor

Que tem suas dores resumidas e ignoradas

Na semente de ser mulher

 

E eu?

Que me retraio e expando conformes tuas fases

Contigo e sofrendo ao longe

Sei algo do amor?

Ou da tua dor?

 

Em minhas águas noturnas

Embalo meu sonho com tua voz – eco –

tu no teu brilho sobre elas

Não passas mais da superfície

Pela manhã, seremos estranhos.

 

Analisando-se a poesia A Lua e o Mar, verificamos que a ideia central do texto é:

 

a) A insatisfação da Lua por invejar estar no lugar do mar.

b) O rompimento amoroso e a dor que sente o eu lírico por um amor que ainda é presente e influente em sua vida, mesmo que distante, expressado pela metáfora do amor entre o Mar e pela Lua e a influência dela nas marés dele.

c) A dor que o Mar sofre à noite quando jogam lixo em sua água e se pode ver pelo brilho da Lua.

d)  A inevitável influência do Mar sobre a Lua que lhe usa a noite para que se ilumine, mas que afasta dela pela manhã quando chega o Sol.

 

Gabarito: Letra B – O Eu Lírico usa a metáfora para expressar a perda de sua amada, correspondendo no texto como sendo a Lua. Mendes (2010) define metáfora como: “Figura de estilo que possibilita a expressão de sentimentos, emoções e ideias de modo imaginativo e inovador por meio de uma associação de semelhança implícita entre dois elementos”. Para Lakoff (2003, p. 219): “A metáfora envolve a compreessão de um domínio de experiência[...]. A metáfora pode ser entendida como um mapeamento (no sentido matemático) de um domínio de origem [...]a um domínio alvo [...]. O mapeamento é estruturado sistematicamente. Há correspondências ontológicas, de acordo com as quais as entidades no domínio correspondem.”[Tradução nossa]. No caso o domínio de origem é o amor desfeito representado pela relação entre Lua e Mar, mas que ainda influencia o Mar, pela ressaca, pelas marés. Já o domínio de destino é o desvencilhar da Lua, seu afastamento do seu íntimo e pela chegado do dia, pela vida que continua. (Não passas mais da superfície/ Pela manhã, seremos estranhos.)

 

Referências: MENDES. Paula. Metáfora. Disponível em: https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/metafora. Acesso em 01 dez. 2022.

LAKOFF. George. Metaphors We Live by.Chicago. University of Chicago Press. 2003.

Prof. Estevão Machado Athaydes


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